A trajetória de Washington na economia sustentável
Washington Ferreira Nascimento Filho, um jovem empreendedor de 25 anos, originário de Abaetetuba, no Pará, está prestes a levar o Brasil a um novo patamar na área de sustentabilidade. Ele foi escolhido para representar o país na World Credit Union Conference (WCUC), que ocorrerá em Sydney, em julho de 2026. O seu projeto, denominado Unaí, se destaca por transformar resíduos do açaí, um fruto abundante na região, em produtos inovadores voltados para a construção civil, arquitetura e design.
Com sua iniciativa, Washington conseguiu não apenas se destacar entre os oito vencedores da bolsa WYCUP 2026, mas também impulsionar a sustentabilidade na cadeia produtiva do açaí. Esse reconhecimento internacional é uma oportunidade valiosa para demonstrar o potencial da bioeconomia amazônica como um caminho viável e ambientalmente correto para o futuro.
O impacto ambiental do descarte de caroços de açaí
O açaí é um dos principais produtos do Pará, mas um aspecto preocupante é o grande volume de caroços descartados após o processamento da fruta. Segundo a Embrapa, cerca de 80% do açaí utilizado na alimentação se torna resíduo sólido, que acaba sendo depositado em ruas, vias e margens de rios. Essa situação representa um sério desafio ambiental, pois a degradação causada pelo acúmulo de resíduos se intensifica durante o ano.

Washington, ao observar o acúmulo desses resíduos em sua cidade e nas comunidades ribeirinhas, percebeu a necessidade de uma solução inovadora. Ele afirma: “Desde criança via esse desperdício e sabia que havia uma oportunidade de utilização dos resíduos do açaí. Transformar esses restos em produtos de valor agregado é um passo essential para a preservação do meio ambiente.”
Transformação dos resíduos em material de construção
A Unaí tornou-se um case de sucesso na transformação de resíduos do açaí em diversos produtos, como revestimentos, utensílios e decoração. Os caroços de açaí, que antes eram considerados lixo, agora são utilizados em projetos de decoração e construção sustentáveis. Com isso, a empresa promove um ciclo que não apenas gera renda, mas também contribui para a economia circular.
Os painéis da Unaí são aplicados em vários estados do Brasil, e Washington já firmou parcerias com grandes marcas, arquitetos e construtoras reconhecidas. Além disso, projetos inovadores estão sendo desenvolvidos, utilizando o caroço de açaí como matéria-prima, ajudando a criar um mercado altamente sustentável e necessário.
Reconhecimento internacional do projeto Unaí
A participação de Washington na WCUC é um marco significativo para sua carreira e para a visibilidade da bioeconomia amazônica. Ele pretende compartilhar suas experiências sobre como transformar conhecimento local em soluções que enfrentem os desafios globais. Para ele, esta é uma chance importante de conectar-se com outros profissionais do setor e buscar inovações que possam expandir ainda mais seu projeto no Brasil.
“Esta conquista é um símbolo de que é possível crescer de forma sustentável e inclusiva. Ensinar a utilizar o açaí de forma integral e reaproveitar cada parte da fruta é fundamental para valorizar a produção e combater a degradação ambiental. Levar essa mensagem para o exterior é uma grande responsabilidade e uma honra”, afirma Washington ao refletir sobre sua jornada.
Como a bioeconomia pode beneficiar a Amazônia
A bioeconomia tem o potencial de transformar a Amazônia em um centro de inovações sustentáveis. Ao dar valor aos recursos naturais por meio do reaproveitamento e do desenvolvimento de novos produtos, é possível gerar empregos e renda, promovendo a conservação do meio ambiente.
Projetos como a Unaí mostram que é possível desenvolver soluções práticas e inovadoras que atendem não apenas às necessidades do mercado, mas também preservam o ecossistema. Ao valorizar resíduos e produzir de maneira sustentável, a bioeconomia pode se tornar uma referência positiva para outras regiões do país e do mundo.
Parcerias com comunidades locais e cooperativas
A Unaí busca envolver as cooperativas e batedores de açaí locais no seu processo produtivo, gerando um impacto econômico positivo nas comunidades. Por meio de colaboração mútua, as cooperativas conseguem transformar resíduos em renda, revitalizando a economia local.
Washington enfatiza a importância dessas parcerias: “Trabalhar em conjunto com as comunidades que mais conhecem o açaí é essencial. Não só contribuímos para o seu crescimento econômico, mas também disseminamos uma cultura sobre a importância do reaproveitamento e consciência ambiental.”
Desenvolvimento de produtos inovadores para o mercado
A Unaí já desenvolveu uma variedade de produtos inovadores, que vão desde revestimentos para interiores e exteriores até utensílios personalizados. A meta é expandir a linha de produtos e oferecer alternativas sustentáveis e de qualidade ao mercado.
A inovação está em todo o processo, desde a seleção dos materiais até a aplicação primordial. Cada produto é pensado para não só agregar valor estético, mas também funcional, reforçando a ideia de que a sustentabilidade pode caminhar lado a lado com a economia.
A importância do cooperativismo na nova economia
O cooperativismo é fundamental para fortalecer a economia local e garantir que todos os envolvidos possam usufruir dos resultados. Washington acredita que o cooperativismo é uma forma eficaz de garantir que as riquezas geradas, por meio de práticas sustentáveis, sejam redistribuídas equitativamente. Isso não só aumenta a renda, como também promove a justiça social.
Visão de futuro: potencializando o impacto social
A visão de Washington vai além do sucesso da Unaí. Ele deseja inspirar jovens empreendedores a se unirem em torno de projetos sustentáveis. Para isso, é fundamental compartilhar conhecimentos e experiências, mostrando que iniciativas baseadas na bioeconomia podem ter um impacto real e significativo.
“Quero que outros jovens vejam além das dificuldades e entendam que a transformação é possível. Com esforço, dedicação e a visão correta, é possível desenvolver soluções que respeitem nosso meio ambiente enquanto estimulam a economia”, conclui Washington, determinado a inspirar uma nova geração de empreendedores na região.
Como jovens podem inovar e transformar seus locais
A trajetória de Washington é um exemplo claro de que jovens podem fazer a diferença em suas comunidades. Todos os jovens têm a capacidade de identificar problemas locais e trazê-los à tona, buscando soluções criativas e sustentáveis. O entusiasmo e a vontade de inovar são elementos fundamentais para a transformação social.
Ao se inspirarem em histórias como a de Washington e de tantas outras iniciativas inovadoras, os jovens podem se unir e desenvolver suas próprias ideias. Trabalhar em coletivo e colaborar com a comunidade são passos cruciais para que as futuras gerações construam um legado sustentável.


